Aos dez anos, e-commerce ainda engatinha no Brasil

Dez anos depois da introdução do e-commerce no País, somente 25% dos internautas brasileiros já fizeram algum tipo de compra pela rede. O panorama do varejo online foi revelado por uma pesquisa publicada na semana passada pela F/Nazca, com apoio operacional do Datafolha, que entrevistou, em março de 2008, 2.117 pessoas de todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Apesar da pouca permeabilidade em termos quantitativos, o setor afirma que o hábito de navegar pelo catálogo online, efetuar o pagamento do próprio computador e aguardar a entrega do sofá de casa é cada vez mais habitual.

Em 2008, 16,5 milhões de pessoas optaram pela compra na internet, ao menos uma vez. No topo da lista dos produtos mais procurados estão os eletrônicos, com 9,2 milhões de vendas únicas (14%), seguido pelos livros (6%) e CDs, DVDs e games (6%). Um percentual significativo, na opinião do diretor de operações da Livraria Cultura, Sergio Herz.

“O trabalho processual deste segmento é uma manola para o cliente. A internet é importante porque oferece comodidade e faz com que o acervo chegue a cidades onde não há livrarias”, afirma. As vendas da homepage da livraria representam 20% do faturamento total da rede. Para segundo semestre de 2009, Herz espera crescer 20%.

A facilidade de penetração em novos nichos também é vista como um dos motivos para a expansão do setor, de acordo com o diretor geral da consultora E-bit, Pedro Guasti. “A entrada de novos usuários na rede, a democratização do acesso e a redução dos custos do computador e da banda larga tornaram o e-commerce um canal bem competitivo, com vantagens para o usuário”, disse.

Para Guasti, a turbulência da crise financeira dos últimos anos não afetou o comportamento do chamado “e-consumidor”. “Enquanto todas as previsões são catastróficas para o mercado, nós estimamos fechar o ano com um crescimento de até 25% em novos compradores”, diz Guasti, que espera fechar o ano com 10,2 bilhões de reais de faturamento no final do ano em bens de consumo pela internet, sem considerar sites de leilão, passagens aéreas e veículos.

Segundo Guasti, o barateamento dos PCs e a redução das tarifas dos servidores de internet não teriam sido suficientes para levar o e-commerce ao atual patamar. “O crescimento na base de cartão de compras foi o que trouxe crédito para as compras virtuais”, diz. “Preço, competitividade e elasticidade no prazo de pagamento são os grandes diferenciais”.

Propaganda X segurança

Ponto delicado desde sua criação, a internet ainda enfrenta resistência da maioria dos usuários quando dados pessoais e bancários são solicitados. Diante disso, 15% da população brasileira preferem consultar catálogos virtuais apenas para comparações de preços, a fim de adquirir algum produto diretamente no comércio de rua ou em shoppings centers. No entanto, Guasti afirma que 82% dos clientes que já compraram algo pela rede confiam neste sistema de pagamento.

Dos mais de 16 milhões de compradores, 72% consultam o catálogo da própria residência. Apesar do suposto isolamento, a influência de outros usuários da rede vale na hora de escolher a marca ou tipo de produto. Segundo Guasti, o boca-a-boca virtual chega a impulsionar entre 8 e 10% das decisões.

Resenhas, opiniões e sugestões são cada vez mais comuns em sites de empresas como Ponto Frio e Submarino, numa tentativa de aproximar o cliente da experiência vivenciada na rede social. “Muitas lojas disponibilizam espaços para avaliação, para que outros possam formar sua própria opinião a respeito de certos produtos. É cada vez mais importante a participação de em comunidades sociais, onde as pessoas podem se manifestar de forma independente”.

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